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O Vitor (ainda) não viu, mas o Robério viu...

Almodóvar e o cinema como família

 

Por Robério Oliveira Silva

 

     Federico Fellini afirmava que em sua mente estava rodando sempre o mesmo filme. François Truffaut determinou que o grande cinema é uma arte de diretor e atriz. Ele e os outros magos da Nouvelle Vague definiram o conceito de cinema de autor. E o que faz de um diretor de filmes um Artista, um Demiurgo, um Criador? A resposta certamente não cabe nas modestas intenções deste texto, mas aplica-se a uma breve reflexão sobre a nova película de Pedro Almodóvar, Abraços partidos.

     Que Almodóvar é um criador, um cineasta-autor nos moldes propostos pela escola francesa já é ponto pacífico. No entanto, como levar adiante uma carreira já consagrada e uma obra de características mais do que marcantes, quase paradigmáticas? O tempo não amedronta o cineasta espanhol, e sua máquina de escrever, ou computador, não para de dar frutos.

Se ele se repete? Obviamente que sim. Em Abraços partidos estão sua paixão pelo melodrama, as cores fortes (sem a eloqüência punk de seus primeiros trabalhos, mas ainda aqui continuam), os homens atraentes – entre os quais a protagonista feminina reina, soberana em sua beleza – os toques autobiográficos, o exercício metalingüístico, a superação da dor através da arte – valor último e razão da existência. Mas a repetição em Almodóvar não é um defeito, porém um exercício de depuração de suas obsessões artísticas (assim como em Fellini, em Truffaut, em Bergman, Allen, Nelson Rodrigues e tantos outros autores).

     Na trajetória do escritor-cineasta Mateo/Harry (o belo, sexy e maduro Lluís Homar), mais um alter-ego de Almodóvar (à moda de A lei do desejo) acompanhamos uma história de amor entre cineasta e atriz (seguindo a lição truffautiana) recheada de lances melodramáticos e tragicômicos, mas agora com uma elegância fotográfica inegável (decantada desde os tempos de Tudo sobre minha mãe), que transforma Penélope Cruz e sua personagem em musas de uma grande arte. Alguém já disse que ninguém fotografa Penélope como Almodóvar, e a afirmativa é corretíssima – a atriz não só está ainda mais bela do que sua aparição em Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen, como confirma seu talento de excelente intérprete. Como se Lena, sua personagem, já não fosse saborosa o bastante para o espectador, Penélope Cruz mostra-se versátil e dona de seu ofício ao encarnar, no filme dentro do filme, uma má atriz, ou, pelo menos, uma atriz iniciante e inexperiente.

     A propósito, aproveitando o filme dentro do filme, o espectador é brindado com um exercício de autorreferência que Almodóvar realiza em relação a filmes anteriores (não direi quais são) que delicia os que conhecem as películas citadas. É narcisista quem pode.

     O que mais chama atenção, no entanto, e sobretudo para os cinéfilos amantes do cineasta, é a declaração de amor à mulher, aos homens, ao cinema, à vida, à amizade e ao amor mesmo que o filme encerra. Em torno do romance central vemos circular a figura da fiel amiga e diretora de produção, Judit (um dos vértices do segredo guardado na trama), de seu filho, Diego, assistente de Mateo/Harry, além do marido de Lena, um poderoso empresário, e do filho deste, contraponto cômico e também um dos olhares (em termos fílmicos) dos mais importantes sobre os detalhes da história – pai e filho, cada um a sua maneira, antagonistas do caso.

     Se os antagonistas movimentam a trama, conforme os moldes do dramalhão, também Judit e Diego são parte importante do sentido do filme, para além de elementos que compõem o enredo. Não se pode deixar de pensar numa análise de cunho biográfico do cineasta, e de sua obra. No filme,a amiga e seu filho compõem a família de amigos que protege o escritor, o que de alguma forma – tanto quanto a contínua colaboração entre Almodóvar e Cruz – nos leva a uma sensação de cinema confessional (e o próprio cineasta já forneceu várias declarações nesse sentido). Sem em A flor do meu segredo, Tudo sobre minha mãe e Volver a referência à mãe, ao passado e à aldeia natal é flagrante e assumida, em Abraços partidos a ligação se dá não apenas com Mulheres à beira de um ataque de nervos, mas também com A lei do desejo, Tudo sobre minha mãe (talvez suas três obras-primas), Carne trêmula e Má educação (filme difícil, quase mal-acabado, e do qual o cineasta se redime com estes abraços): a paixão pelo cinema e pela criação ficcional, com seus processos desvelados; o amor, a amizade e a tolerância e liberdade sexuais; a presença de um protagonista alter-ego (desta vez heterossexual).

     Há uma questão subcutânea percorrendo a película: a paternidade. Almodóvar, através de Mateo/Harry e Diego, assume-se pai de sua obra, na ausência de um filho biológico. E o mais interessante, ilumina a possibilidade e a experiência dos que optam e conseguem criar uma família no seio dos amigos e companheiros de trabalho. O lar de Almodóvar é seu cinema, a família, suas atrizes (além de Penélope, retornam Ângela Molina, Lola Dueñas, Kiti Manver, Chus Lampreave e Rossy de Palma, as duas últimas em aparições rápidas e descaradamente afetivas) e colaboradores, junto a seu irmão de fato, Agustín, sempre presente.

     Se Abraços partidos não é a obra maior de Almodóvar, resulta num trabalho honesto, brilhante e à altura de seu autor, desmentindo e desafiando aqueles que pensam e falam que o filho maior da Movida Espanhola estaria se acomodando, justamente por ter desenvolvido o domínio da técnica cinematográfica. Mas pensar onde termina a acomodação de um cineasta em suas fórmulas de sucesso e onde começa a maturidade é questão para outro(s) texto(s), e, neste momento, realmente, não me interessa.

     Abraços partidos emociona e diverte, brinda nosso olhar com beleza e elegância, alimenta a alma, acorda o corpo. E, marca maior de Almodóvar, acredita no cinema, mas também nas pessoas.

 



- Postado por: O Vitor viu... às 18h46
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