Lília e a alegria de viver Ø DIVÃ (Brasil, 2009 – roteiro: Marcelo Saback - dir: José Alvarenga) Não seria exagero nenhum afirmar que Lília Cabral é uma atriz da mesma linhagem de uma Meryl Streep. Dona de todos os recursos cênicos, Lília transita com segurança por todos os gêneros, indo da mais tresloucada e engraçada beata à mais abominável megera. No drama ou na comédia, domina a cena com competência e talento e ainda conta com aquele “quê” a mais que poucos artistas tem: um inegável carisma. Nós, (tele) espectadores, que sempre nos acostumamos a ver a atriz roubar a cena com suas adoráveis coadjuvantes, nos sentimos realizados ao vê-la no posto mais que merecido: o de protagonista. Ainda que “Divã”, filme baseado em bem sucedida montagem teatral do livro de Martha Medeiros, conte com um excelente time de coadjuvantes (com destaque para a companheira dos tempos da peça, Alexandra Richter), com um roteiro cheio de frases espirituosas e tiradas inteligentes e com uma direção que sabe valorizar todos estes aspectos, a razão de ser do filme está mesmo em Lília Cabral, que cativa do início ao fim, diverte e emociona, faz rir e chorar com sua apaixonante Mercedes, uma dona de casa de meia-idade que entra em crise e começa a rever sua vida e vivenciar novas descobertas a partir das sessões com seu psicanalista. Outro aspecto positivo está na humanidade da personagem que, livre de estereótipos e maniqueísmos, é um ser humano como outro qualquer: falho, patético, que trai e é traída, mas que acima de tudo, busca ser feliz. Um filme, sobretudo, sobre a alegria de viver ou, como diz a canção, sobre como “aprender a só ser”. Despretencioso e feliz como uma bela tarde de outono. Cotação: @@@@ Ótimo - Postado por: O Vitor viu... às 04h08 [ ] [ envie esta mensagem ]
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