AGORA É QUE SÃO ELAS A cerimônia de entrega do Oscar já é no próximo domingo, concidindo com o carnaval. Como o favorito a melhor filme, “Slumdog Millionaire” , ainda não chegou, o blog “Cinema, etc” sugere uma conferida nos três filmes com as mais fortes candidatas a melhor atriz: “O leitor”, com Kate Winslet em verdadeiro estado de graça; “Dúvida”, com a infernal Meryl Streep batendo recordes e vestindo hábito; e “O casamento de Rachel”, em que Anne Hathaway desconstrói sua imagem de princesinha e bonequinha de luxo pós-moderna vivendo uma drogada em recuperação. De quebra, ainda temos no filme, para os saudosistas, o retorno de Debra Winger, estrela de “Laços de ternura e “Cowboy do Asfalto”. Escolha sua favorita e boa sessão!!!
Ø O LEITOR (The Reader – Direção: Stephen Daldry – roteiro de David Hare, baseado em livro de Bernhard Schlink – EUA/Alemanha, 2008)
Stephen Daldry, bem sucedido diretor de “Billy Elliot” e “As horas”, retorna nesse filme, perseguindo sua costumeira temática do herói às avessas e sua busca pelo auto-conhecimento. Só que em “O leitor”. tal temática vem disfarçada por entre um atraente miolo. A história do jovem Michael Berg (David Kross, ótimo), que se envolve, por acaso, com Hanna Schmitz (Kate Winslet), uma mulher que tem o dobro de sua idade. Apesar das diferenças de classe, os dois se apaixonam e vivem uma bonita história de amor. Até que um dia Hanna desaparece misteriosamente. Oito anos se passam e Berg, então um interessado estudante de Direito, se surpreende ao reencontrar seu passado de adolescente quando acompanhava um polêmico julgamento por crimes de guerra cometidos pelos nazistas. Anos depois, o atormentado jovem dá lugar a um amargurado homem (Ralph Fiennes), que vive fechado entre seus segredos e pensamentos e jamais conseguiu se entregar a alguém. Talvez as seqüelas deixadas por Hannah tenham provocado mais impactos do que ele pensava. O que, a princípio, a nós parece ser um filme de amor, vai aos poucos ganhando contornos trágicos e tristes, sempre acompanhados de uma bela trilha sonora. Um filme sobre segredos e silêncios. Sem dúvida, Kate Winslet é a grande razão de ser do filme. Na pele da enigmática Hannah, a atriz consegue dar conta das mais variadas reações apenas com o olhar. Um belíssimo trabalho de composição e uma atuação corajosa e emocionante. A atriz conseguiu ser perfeita, ao encarnar uma mulher dura, embrutecida e seca, mas que também se emociona, ama e sofre através dos romances que Michael lê para ela. Apesar de favorita ao Oscar, a atriz tem pela frente: a recordista de indicações Meryl Streep em “Dúvida”. Vencedora ou não, Kate Winslet entra, definitivamente, para o rol das grandes atrizes. Cotação: @@@@ Ótimo Ø DÚVIDA (Doubt – Roteiro e direção: John Patrick Shanley, baseado em peça teatral de sua própria autoria – EUA, 2008) O DIABO VESTE HÁBITO
O carismático padre Flynn (Philip Seymour Hoffman) tenta acabar com os rígidos costumes da escola St. Nicholas, localizada no Bronx. A diretora do local é a irmã Aloysius Beauvier (Meryl Streep), que acredita no poder do medo e da disciplina. A escola aceitou recentemente seu primeiro aluno negro, Donald Miller (Joseph Foster), devido às mudanças políticas da época. Um dia a irmã James (Amy Adams) conta à diretora suas suspeitas sobre o padre Flynn, de que esteja dando atenção demais a Donald. É o suficiente para que a irmã Aloysius inicie uma cruzada moral contra o padre, tentando a qualquer custo expulsá-lo da escola. Sim, este parece ser o mote central de “Dúvida” e o filme acaba não dando resposta para esta e para outras dúvidas. Teria o padre abusado do menino? Talvez a resposta para esta pergunta não interesse tanto quanto as questões suscitadas pelo filme. Mais interessante é a questão da eminência parda da freira interpretada por Streep que, para combater o padre, teoricamente mais forte do que ela, precisa se utilizar de métodos que fogem aos trâmites tradicionais. Uma verdadeira raposa, que consegue se impor. A esperteza que vence a força. Também há a questão do tradicional versus o novo, da fofoca versus a virtude, da intolerância versus a compaixão. A imagem ameaçadora da freira lembra muito no início sua já antológica Miranda Priestley, de “O diabo veste Prada”. Quando ela chega, mobiliza e assusta como a editora fashion, mas se temos uma Meryl Streep à frente do papel, as delícias experimentadas pelo espectador são sempre novas. Arrasadora como sempre, Meryl Streep consegue sua 15ª indicação ao Oscar e brilha intensamente nesse filme, cujo ponto alto está na interpretação dos atores. Um verdadeiro duelo de craques onde todos saem vencedores. Philip Seymour Hoffman e Amy Adams, ambos também indicados ao Oscar, defendem seus papéis com garra e talento. Viola Davis, que vive a mãe do menino, aparece pouquíssimo, mas sua personagem impressiona pelo pragmatismo e pela lucidez e sua presença é tão marcante, que lhe rendeu uma indicação à estatueta da Academia. Mais vale questões a se refletir do que dúvidas respondidas de maneira simples. Um filme para se ver de olhos abertos e mente aguçada. Cotação: @@@@@ Excelente. Ø O CASAMENTO DE RACHEL (“Rachel getting married” – Dir: Johnatan Demme – EUA, 2008)
Estilo câmera nervosa e tom documental, a narrativa, às vezes, é cansativa demais e parece que estamos diante daqueles filmes caseiros intermináveis de casamento de família aos quais somos obrigados a assistir de vez em quando. No fim, até que a “tortura” é justificável. Anne Hathaway (cuja atuação cheira a indicação ao Oscar – texto escrito em setembro na época do festival, portanto profecia cumprida!!!) está perfeita na pele de Kim, a irmã problemática que sai da clínica de reabilitação para participar do casamento da irmã, Rachel (Rosemarie DeWitt, ótima). Lembrando a parábola do filho pródigo, a incompreensão e a hipocrisia permeiam os preparativos para a festa. Kim, na sua volta pra casa, parece uma estranha aos olhos da família e terá que lidar com todo tipo de reação, desde os ciúmes da irmã à indiferença da mãe, vivida por Debra Winger, estrela de filmes nos anos 80, em ótimo retorno como a mãe ausente. Vale como uma terapia de família. Cotação: @@@ Bom
- Postado por: O Vitor viu... às 01h13 [ ] [ envie esta mensagem ]
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