Viagem ao útero materno Ø MARIA BETHÂNIA – PEDRINHA DE ARUANDA (Brasil, 2007 – dir: Andrucha Waddington) O que é preciso para se fazer um grande filme? Basicamente de uma boa história. Quando, num mesmo filme, há muitas e deliciosas histórias reunidas, melhor ainda. E todas essas pérolas (no melhor sentido da palavra) vêm de uma mesma fonte: uma nobre, rara e valiosa família que presenteou o Brasil com dois grandes ícones de nossa música. “Pedrinha de Aruanda” mostra, a princípio a intimidade de uma das maiores cantoras desse país de todos os tempos: ninguém menos que a diva Maria Bethânia, cuja vitoriosa carreira e infinito talento já foram mais do que comprovados em seus mais de quarenta anos de estrada. Para celebrar seus 60 anos, a cantora convocou as lentes sempre curiosas de Andrucha Waddington e , juntamente com o mano Caetano, fez uma viagem até sua terra natal, Santo Amaro da Purificação, onde residem suas mais ancestrais raízes, em busca do colo e do calor materno da lendária Dona Cano, que esta semana completa 100 anos de muita sabedoria. E a generosa Bethânia nos empresta a sabedoria e o colo de sua mãe nesse delicioso filme. Não há espectador que, embalado pelas histórias e pela ternura de Dona Cano, não se sinta mais um de seus filhos, tamanha é a atmosfera de cumplicidade conseguida por Andrucha. Sem perceber o tempo passar, chegamos ao fim dessa simples, mas arrebatadora e comovente jornada, completamente emocionados e plenos de amor e música. Aplausos de pé. Tocante, antológico, imperdível. - Postado por: O Vitor viu... às 00h06 [ ] [ envie esta mensagem ] Improvável (e boa) surpresa. Ø INSTINTO SECRETO (“Mr. Brooks”) – EUA, 2007 – dir: Bruce A. Evans Sim, queridos leitores. Admito que fui assistir ao filme em questão cheio de preconceitos, afinal, um filme que reúne Kevin Coster e Demi Moore não teria a menor possibilidade de ser bom. Certo? Erradíssimo. Queimei minha língua, mas em compensação saí com a satisfação de se assistir a um bom entretenimento. “Mr Brooks”, no original, conta o dilema de um homem exemplar na comunidade (Costner), mas que guarda um terrível segredo: é também um serial killer, perseguido pela polícia. E não é que Kevin está ótimo? Com uma interpretação comedida, ele dá o tom certo do cinismo e da frieza exigidos pelo personagem. E Demi Moore também não desaponta ao viver a policial durona e cheia de princípios que investiga o caso. E ainda há o auxílio luxuoso do sempre eficiente William Hurt, impagável como uma espécie de “id” do anti-herói vivido por Coster. Com uma trama longe de ser mirabolante, mas criativa na dose certa, o filme garante bons e improváveis momentos de diversão sem aquele compromisso careta que o cinema americano tem de “passar uma mensagem” no final. Pra assistir sem culpa (e sem preconceito). - Postado por: O Vitor viu... às 00h04 [ ] [ envie esta mensagem ]
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