Dira Paes e Cine Odeon: duas paixões do cinema nacional.
Por acaso, assistindo TV neste sábado meio ocioso, me surpreendi com a excelente entrevista de Angélica em seu programa “Estrelas”, que sempre conta com bons momentos. Mas o de hoje foi especial para os amantes do cinema, que tiveram o privilégio de se deleitarem com a excelente Dira Paes, grande musa de nosso cinema atual, apresentando ao grande público, o belo e lendário Cine Odeon, na Cinelândia, no centro do Rio. Com a simpatia e a delicadeza de sempre, Dira fez um breve histórico do cinema mais tradicional da cidade, desde sua criação até a revitalização por que ele passou. A câmera foi generosa ao mostrar em detalhes a fachada e o interior do cinema, que mantém até hoje o ritual das antigas exibições com cortina e gongo. Ao mesmo tempo, a edição do programa foi muito feliz ao fazer uma seleção dos momentos de Dirá no cinema, como “Corisco e Dada”, “Dois filhos de Francisco”, “O casamento de Louise” e muitos outros. Tudo isto com muita leveza e descontração. Para os freqüentadores assíduos do Odeon como eu foi emocionante ver nosso templo para quem ama cinema ser mostrado com tanto carinho e respeito. E ninguém melhor do que Dira para fazer as honras da casa. Quem nunca foi e tiver a oportunidade de conhecer o Odeon, é um programa pra lá de enriquecedor, e para os cariocas, obrigatório. Ainda mais se o talento, a beleza e o carisma de Dira estiver enfeitando a tela. Ponto para Angélica e seu programa, que é praticamente um oásis no meio de tanta bobagem televisiva. Vida longa para La Paes e para o Cine Odeon. - Postado por: O Vitor viu... às 02h38 [ ] [ envie esta mensagem ] Desperdício de talentos Ø BAIXIO DAS BESTAS (Brasil, 2007 – dir: Cláudio Assis)
Quando “Amarelo Manga” despontou no cinema nacional, seu diretor Cláudio Assis ganhou fama e o reconhecimento por sua narrativa e visão inovadora ao mostrar todo o lixo e a degradação do submundo da cidade do Recife de maneira criativa e poética. Infelizmente, o mesmo não acontece em seu novo filme, “Baixio das Bestas”. Com a clara intenção de chocar, o público é bombardeado por cenas bizarras, fortes repletas de diálogos chulos e agressivos. O problema é que tudo isso soa gratuito na maioria das vezes. Cenas de estupro, pedofilia e violência são atiradas o tempo todo e a narrativa é lenta e previsível. O filme parece carecer de um bom mote, de um bom roteiro. O resultado é uma inevitável sensação de perda de tempo. Em “Amarelo Manga”, há cenas fortes, chocantes e até mais esteticamente sujas do que neste, mas o roteiro está lá o tempo todo com um humor mordaz e rascante, o que torna prazeirosa sua projeção. Já em “Baixio das Bestas”, Assis parece ter carregado a mão na bizarrice e na agressividade gratuita e o filme, que oscila o tempo todo entre a denúncia e o documental, parece se perder e não dizer a que veio. Uma pena. As exceções positivas (que garantem as duas estrelas) ficam por conta da bela fotografia de Walter Carvalho, de algumas tomadas bem feitas e de um excelente elenco que, apesar da precariedade criativa, conseguem se destacar. Mas a sensação de desperdício é inevitável ao vermos atores do porte de Dira Paes, Matheus Nachtergaele, Marcélia Cartaxo, Hermila Guedes e Caio Blat, entre outros, num filme tão irregular. Para quem tem estomago forte e ou um poder de abstração muito além da média. O poético ficou pra proxima. - Postado por: O Vitor viu... às 02h36 [ ] [ envie esta mensagem ]
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