O Cacá também viu...
Com a descontração do "Ó paí, Ó" e a beleza do "Batismo de sangue" passeia-se pela emoção do rir ao chorar.
por Carlos Fernando Carvalho
Esta semana, assistindo a estes dois filmes percebi o quanto estou disponível para deixar as emoções aflorar, sem filtro, sem barreiras. A intensidade dependerá de cada um e no meu caso as emoções são sempre intensas. "Batismo de sangue", de Helvécio Ratton, vai, aos poucos, mostrando uma realidade não tão distante deste nosso Brasil. Jovens engajados em uma luta contra os ditadores, empenhados em buscar a liberdade para si e para o povo, encontram a repressão e a tortura. Anos 60 e 70, o mundo todo passa por transformação e aqui não seria diferente. O filme é muito triste, mas nunca arrastado. Aos poucos ele vai aos nos tomando e em determinado momento chorei. Chorei pelo o que assistia, chorei pelo que lembrava, enfim, chorei como a expurgar algumas mazelas. Sai do cinema ainda triste, mas aliviado.
Já "Ó paí ó", de Monique Gardenberg, é uma descontração só. Salvador, carnaval, Ladeira do Pelourinho, tudo retrata o povo baiano, que vive como se todo dia fosse dia de festa. Ri muito com as situações, relembrei algumas passagens da minha Recife. Quase no final o filme tem uma queda, como a preparar-se para o final que, se não é de todo inesperado, traz uma carga emocional grande.
Entre os dois uma linha os une. Os dois mostram um Brasil vivo, mostram seu povo ou parte dele participando dos acontecimentos, mostram a alegria e a tristeza presentes em cada um de nós. São dois filmes que, além de terem atores excelentes, em momentos marcantes, com técnica apurada, me fizeram lembrar uma frase de Cazuza: BRASIL, MOSTRA A SUA CARA !!!!!
Viva o cinema nacional. Recomendo!!! - Postado por: O Vitor viu... às 14h05 [ ] [ envie esta mensagem ]
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