Donas da cena Ao assistirmos “Transamérica” e “Zuzu Angel”, dois filmes bastante aguardados, não conseguimos, a princípio, encontrar algum ponto de contato entre eles, a não ser a imensa expectativa que causaram no público. Mas o espectador mais atento vai perceber que, mais do que dramas sensíveis, ambos os filmes insistem em girar em torno de uma determinada temática: a busca do feminino pela verdade. Vejamos “Transamérica”(EUA, 2005), filme já em cartaz, que conta a saga da transexual Bree, que, prestes a realizar seu grande sonho, uma cirurgia de mudança de sexo, descobre que tem um filho adolescente. Com isso, Bree se vê numa encruzilhada: precisa exercer seu lado pai em um momento em que sua femininidade está à flor da pele. O conflito e a tensão entre o masculino e o feminino do ser é abordado de forma bastante verdadeira e delicada pelo diretor David Tucker , que tem em Felicity Huffman, na pele da heroína às avessas, sua intérprete perfeita. Dona de uma atuação magistral, comovente e memorável, a atriz passa longe do caricato, optando pela delicadeza e com isso consegue uma das melhores interpretações da década. Perfeita! No caso de “Zuzu Angel” (Brasil, 2006), o filme já representa, antes de tudo, um marco importantíssimo na nossa história recente ao desvelar e contar para as novas gerações a luta da famosa estilista pelo destino do filho. Às portas de sua estréia (4 de agosto), o espectador irá se deparar com uma verdadeira gigante em cena: Patrícia Pillar (diga-se de passagem, à frente de um apaixonado elenco), que nos brinda com uma atuação impecável, vigorosa, forte e magnética. Sua Zuzu Angel emociona, comove e não deixa a platéia indiferente, nos aguçando para a luta e a indignação. Sem se deixar levar pelo tom excessivamente romântico do filme, a atriz dá vida a uma Zuzu que, mais do que buscar a verdade do que aconteceu com o filho, busca, incessantemente e principalmente, sua própria verdade. E é justamente aí que reside o grande mérito do filme: a fuga do documental, do factual em prol da construção de uma personagem apaixonante. Tem tudo para emplacar e agradar. Em suma: tanto “Transamérica” quanto “Zuzu Angel” mostra facetas do feminino e sua busca pela própria verdade interior, seja a heroína indignada ou a excluída sofredora, ambas lutam pela dignidade e pela legitimidade de suas existências.
Seja a fragilidade de Bree (Felicity Huffman) ou a força de Zuzu (Patrícia Pillar), ambas arrebatam o público. Cotações: Transamérica @@@@ Ótimo - Postado por: O Vitor viu... às 23h08 [ ] [ envie esta mensagem ]
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