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Brett Penace





- Postado por: O Vitor viu... às 19h40
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O inconfundível Woody Allen

Ø  TUDO PODE DAR CERTO (“Whatever works” – EUA / França, 2009 – dir e roteiro: Woody Allen)

 

 

Depois de fazer sucesso com filmes como “Match Point” e “Vicky Cristina Barcelona”, bem diferentes da filmografia que o consagrou, o bom e velho Woody Allen do humor neurastênico está de volta. O protagonista Boris é aquele deliciosamente rabugento e neurótico de sempre. Mas desta vez, o diretor fica por trás das câmeras e elege para interpretar essa espécie de alterego o ator Larry David, que não chega a ser impagável como o mestre, mas realiza um belo trabalho.

       Boris é um professor aposentado frustrado que se acha anos-luz à frente do restante da humanidade em termos de inteligência, perspicáca e visão filosófica do mundo e da vida. Até que um ser diametralmente oposto e anos-luz atrás da humanidade acerca dessas mesmos quesitos, a bela, ingênua e assustadoramente burra Melodie St. Ann Celestine, na pele de Eva Rachel Wood (engraçadíssima), cruza seu caminho à procura de um pouso para aquela noite. Com um misto de pena da moça pela sua condição de desamparo e de ódio pela sua burrice colossal, Boris a abriga em seu apartamento. O que era pra ser uma situação provisória acaba se prolongando por mais tempo que ele pudesse prever. A partir daí, você já sabe: os opostos se atraem e o inevitável acontece: ele cai de amores pela moça. A trama do filme não é nada surpreendente e imprevisível, mas o que o torna agradabilíssimo é o excelente e afiado texto de Allen, que continua arrancando risadas de seus admiradores. O filme ainda conta com um ótimo time de coadjuvantes como os religiosos pais da moça.

      

“Tudo pode dar certo”, usando boa dose de acidez e sarcasmo, brinca o tempo todo com a neurastenia e o pessimismo do protagonista, que parece querer negar o título do filme a qualquer custo. Mas algumas situações inusitadas podem provar a ele exatamente o contrário. No mais, para os fãs do bom e velho Woody Allen de filmes como “Manhattan” ou “Annie Hall” é diversão garantida, ainda que a presença na frente das câmeras do bom e velho Allen faça alguma falta.

 

Cotação: @@@@ Ótimo



- Postado por: O Vitor viu... às 06h57
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Simplicidade e competência

Ø  CHICO XAVIER – O FILME (Brasil, 2010 – dir: Daniel Filho – roteiro: Marcos Bernstein, baseado em livro de Marcel Souto Maior)

 

 

Daniel Filho, a cada filme, consolida sua condição de grande realizador do cinema nacional. Queira os mais puristas ou não, que sempre o acusam de dar um tom televisivo a seus filmes (e o que há de mal nisso?) é um dos poucos que conseguem fazer com que o brasileiro prestigie o cinema de seu país e lote as salas de exibiç. Isso se deve, inegavelmente, à grande capacidade de comunicação do diretor (conquistada com anos e anos de televisão), aliada ao seu apuradíssimo faro em perceber ótimas histórias (também conquistado devido aos seus longos e televisivos anos).

 

       O fato é que Daniel Filho marca mais um golaço com o filme que conta a história do maior médium brasileiro por enxergar que a vida dele dava, de fato, um grande filme. Sem maneirismos ou tentativas de alcançar alguma genialidade narrativa, mas com extrema competência ao contá-la, o diretor faz da história de Chico Xavier uma grande saga e uma trajetória digna de herói, independente de questões religiosas, pelo mesmo motivo que consagrou “Dois filhos de Francisco”: o brasileiro é, antes de tudo, um forte.

 

       Com isso o filme não tem como não agradar. Agrada pela história sofrida de vida de Chico, agrada pela competente narrativa, agrada por preservar o mito e respeitar a história e bondade e abnegação que o fez ficar famoso, agrada pelo roteiro bem amarrado e agrada, sobretudo, pelo carisma e talento do elenco. Nelson Xavier e Angelo Antonio estão impecáveis vivendo o protagonista em diferentes fases de sua vida, mas o menino Mateus Costa, que faz o médium na infância, é quem realmente emociona e arrebata o espectador mais sensível logo de cara. Com relação ao restante do elenco, mais uma vez os anos de estrada televisiva de Daniel Filho jogam ao seu favor ao escalar os atores certos para os papéis correspondentes, explorando o que cada um já rendeu de melhor em suas carreiras televisivas, com destaque para Tony Ramos, competente como sempre e Christiane Torloni, que explode em emoção e, por talvez sua vida pessoal se confundir com a da própria personagem, acaba causando uma comoção ainda maior.

 

       Mas o filme está longe de ser piegas ou apelar para o sentimentalismo fácil. Sem grandes pretensões a captar uma profundidade maior nos fatos (ao contrário, a simplicidade é sua maior qualidade), o filme narra com extrema competência e emoção na dose certa, com algum posicionamento crítico, uma história que vale muito a pena ser contada, independente de qualquer convicção religiosa.

 

Cotação: @@@@ Ótimo.



- Postado por: O Vitor viu... às 06h26
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And the winner is...

Amigos,

Confesso que esse ano estive totalmente por fora da premiação do Oscar, embora tenha assistido à cerimônia. Como não assisti a nenhum dos filmes, não tive parâmetro para julgar o mérito dos vencedores. Sim, que vergonha! Quantas chicotadas eu mereço? rs...

Mas, para não passar em brancas nuvens, segue abaixo uma ótima análise da festa do Oscar por um povo que entende TUDO de cinema: OS DEPORTADOS.

Segue link para o blog deles: www.osdeportados.blogspot.com

E também a lista dos vencedores. Inté!!!

A seguir a lista completa dos vencedores do Oscar:

Filme: "Guerra ao Terror"

Ator: Jeff Bridges - Coração Louco

Atriz: Sandra Bullock - Um Sonho Possível

Ator Coadjuvante: Christoph Waltz - Bastardos Inglórios

Atriz Coadjuvante: Mo'Nique - Preciosa

Diretor: Kathryn Bigelow - Guerra ao Terror

Filme de Animação: Up - Altas Aventuras

Filme em língua estrangeira: O Segredo de seus Olhos (Juan José Campanella, Argentina)

Roteiro Original: Guerra ao Terror - Mark Boal

Roteiro Adaptado: Preciosa - Geoffrey Fletcher

Fotografia: Avatar - Mauro Fiore

Montagem: Guerra ao Terror - Bob Murawski, Chris Innis

Direção de Arte: Avatar - Rick Carter, Robert Stromberg

Figurino: The Young Victoria - Sandy Powell

Maquiagem: Star Trek

Trilha Sonora: Up - Altas Aventuras - Michael Giacchino

Melhor música: Coração Louco (T-Bone Burnett, Ryan Bingham, por "The Weary Kind")

Som: Guerra ao Terror

Edição de Som: Guerra ao Terror

Efeitos visuais: Avatar

Documentário: The Cove, Louie Psihos e Fisher Stevens

Documentário (curta-metragem): Music by Prudence

Curta-metragem: The New Tenants

Curta-metragem de animação: Logorama



- Postado por: O Vitor viu... às 19h33
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- Postado por: O Vitor viu... às 03h00
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Hummmmmmmm....

Ø  JULIE & JULIA (EUA, 2009) - dir. e roteiro: Nora Ephron.

 

 

 

Nora Ephron (Harry &Sally, Sintonia de amor) sabe como ninguém contar uma história que combina ingredientes envolventes como romance, humor e inocência na dose certa. Seus personagens possuem uma ingenuidade que não é burra, nem menospreza o espectador. Ao contrário, uma ingenuidade genuína e cativante, que conquista o público. E conseguir nos pragmáticos tempos de hoje, construir uma história verossímil com generosas porções de fantasia é algo difícil. Por essas razões é que Nora Ephron é praticamente a Ivani Ribeiro de Hollywood...rs!

Brincadeiras à parte, graças ao Globo de Ouro vencido pela sempre impecável Meryl Streep, o filme ganhou uma maior longevidade nos cinema e, já livre de trabalhos a realizar, prazos a cumprir e correrias de final de ano, pude conferir essa delícia de história.

Vamos lá: o filme é uma verdadeira delícia para todos os sentidos. O roteiro de Nora consegue com muita habilidade amarrar as duas tramas que correm paralelamente, ambas baseadas em fatos reais: a saga da famosa apresentadora e culinarista americana em Paris, Julia Child (Meryl Streep), que inspira a funcionária pública desmotivada Julie Power (Amy Adams) a criar um blog, onde posta seu desafio de cozinhar todas as mais de quinhentas receitas do famoso livro de Julia em apenas um ano. Na verdade, dois filmes em um, em perfeita unidade e equilíbrio.

Meryl Streep, sempre camaleônica, está soberba na pele de Julia Child e consegue arrancar risadas do público até com pequenos gestos, realizando um trabalho tecnicamente perfeito. Mas a alma do filme é Amy Adams. Talvez pelo fato do filme já revelar logo no início que Julia Child se tornou um ícone, a expectativa e a torcida do público se voltam para Julie. E  Amy Adams faz um contraponto perfeito com Meryl, exalando meiguice e lembrando muito as adoráveis maluquinhas que Meg Ryan interpretou nos filmes da mesma diretora.  Ótimos coadjuvantes (Stanley Tucci, pela segunda vez, caindo como uma luva para Streep) e competência técnica completam as boas credenciais do filme que, mesmo previsível, não deixa de ser uma delícia, sobretudo pra quem busca diversão leve e descompromissada. E cumpre com maestria uma das principais funções do cinema: fazer o espectador sonhar.

 

Cotação: @@@@ Ótimo



- Postado por: O Vitor viu... às 02h57
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- Postado por: O Vitor viu... às 02h55
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O Vitor (ainda) não viu, mas o Robério viu...

Almodóvar e o cinema como família

 

Por Robério Oliveira Silva

 

     Federico Fellini afirmava que em sua mente estava rodando sempre o mesmo filme. François Truffaut determinou que o grande cinema é uma arte de diretor e atriz. Ele e os outros magos da Nouvelle Vague definiram o conceito de cinema de autor. E o que faz de um diretor de filmes um Artista, um Demiurgo, um Criador? A resposta certamente não cabe nas modestas intenções deste texto, mas aplica-se a uma breve reflexão sobre a nova película de Pedro Almodóvar, Abraços partidos.

     Que Almodóvar é um criador, um cineasta-autor nos moldes propostos pela escola francesa já é ponto pacífico. No entanto, como levar adiante uma carreira já consagrada e uma obra de características mais do que marcantes, quase paradigmáticas? O tempo não amedronta o cineasta espanhol, e sua máquina de escrever, ou computador, não para de dar frutos.

Se ele se repete? Obviamente que sim. Em Abraços partidos estão sua paixão pelo melodrama, as cores fortes (sem a eloqüência punk de seus primeiros trabalhos, mas ainda aqui continuam), os homens atraentes – entre os quais a protagonista feminina reina, soberana em sua beleza – os toques autobiográficos, o exercício metalingüístico, a superação da dor através da arte – valor último e razão da existência. Mas a repetição em Almodóvar não é um defeito, porém um exercício de depuração de suas obsessões artísticas (assim como em Fellini, em Truffaut, em Bergman, Allen, Nelson Rodrigues e tantos outros autores).

     Na trajetória do escritor-cineasta Mateo/Harry (o belo, sexy e maduro Lluís Homar), mais um alter-ego de Almodóvar (à moda de A lei do desejo) acompanhamos uma história de amor entre cineasta e atriz (seguindo a lição truffautiana) recheada de lances melodramáticos e tragicômicos, mas agora com uma elegância fotográfica inegável (decantada desde os tempos de Tudo sobre minha mãe), que transforma Penélope Cruz e sua personagem em musas de uma grande arte. Alguém já disse que ninguém fotografa Penélope como Almodóvar, e a afirmativa é corretíssima – a atriz não só está ainda mais bela do que sua aparição em Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen, como confirma seu talento de excelente intérprete. Como se Lena, sua personagem, já não fosse saborosa o bastante para o espectador, Penélope Cruz mostra-se versátil e dona de seu ofício ao encarnar, no filme dentro do filme, uma má atriz, ou, pelo menos, uma atriz iniciante e inexperiente.

     A propósito, aproveitando o filme dentro do filme, o espectador é brindado com um exercício de autorreferência que Almodóvar realiza em relação a filmes anteriores (não direi quais são) que delicia os que conhecem as películas citadas. É narcisista quem pode.

     O que mais chama atenção, no entanto, e sobretudo para os cinéfilos amantes do cineasta, é a declaração de amor à mulher, aos homens, ao cinema, à vida, à amizade e ao amor mesmo que o filme encerra. Em torno do romance central vemos circular a figura da fiel amiga e diretora de produção, Judit (um dos vértices do segredo guardado na trama), de seu filho, Diego, assistente de Mateo/Harry, além do marido de Lena, um poderoso empresário, e do filho deste, contraponto cômico e também um dos olhares (em termos fílmicos) dos mais importantes sobre os detalhes da história – pai e filho, cada um a sua maneira, antagonistas do caso.

     Se os antagonistas movimentam a trama, conforme os moldes do dramalhão, também Judit e Diego são parte importante do sentido do filme, para além de elementos que compõem o enredo. Não se pode deixar de pensar numa análise de cunho biográfico do cineasta, e de sua obra. No filme,a amiga e seu filho compõem a família de amigos que protege o escritor, o que de alguma forma – tanto quanto a contínua colaboração entre Almodóvar e Cruz – nos leva a uma sensação de cinema confessional (e o próprio cineasta já forneceu várias declarações nesse sentido). Sem em A flor do meu segredo, Tudo sobre minha mãe e Volver a referência à mãe, ao passado e à aldeia natal é flagrante e assumida, em Abraços partidos a ligação se dá não apenas com Mulheres à beira de um ataque de nervos, mas também com A lei do desejo, Tudo sobre minha mãe (talvez suas três obras-primas), Carne trêmula e Má educação (filme difícil, quase mal-acabado, e do qual o cineasta se redime com estes abraços): a paixão pelo cinema e pela criação ficcional, com seus processos desvelados; o amor, a amizade e a tolerância e liberdade sexuais; a presença de um protagonista alter-ego (desta vez heterossexual).

     Há uma questão subcutânea percorrendo a película: a paternidade. Almodóvar, através de Mateo/Harry e Diego, assume-se pai de sua obra, na ausência de um filho biológico. E o mais interessante, ilumina a possibilidade e a experiência dos que optam e conseguem criar uma família no seio dos amigos e companheiros de trabalho. O lar de Almodóvar é seu cinema, a família, suas atrizes (além de Penélope, retornam Ângela Molina, Lola Dueñas, Kiti Manver, Chus Lampreave e Rossy de Palma, as duas últimas em aparições rápidas e descaradamente afetivas) e colaboradores, junto a seu irmão de fato, Agustín, sempre presente.

     Se Abraços partidos não é a obra maior de Almodóvar, resulta num trabalho honesto, brilhante e à altura de seu autor, desmentindo e desafiando aqueles que pensam e falam que o filho maior da Movida Espanhola estaria se acomodando, justamente por ter desenvolvido o domínio da técnica cinematográfica. Mas pensar onde termina a acomodação de um cineasta em suas fórmulas de sucesso e onde começa a maturidade é questão para outro(s) texto(s), e, neste momento, realmente, não me interessa.

     Abraços partidos emociona e diverte, brinda nosso olhar com beleza e elegância, alimenta a alma, acorda o corpo. E, marca maior de Almodóvar, acredita no cinema, mas também nas pessoas.

 



- Postado por: O Vitor viu... às 18h46
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AMOR PERFEITO E SEM CLICHÊS.

 Ø  DO COMEÇO AO FIM (Brasil, 2009 – dir. e roteiro: Aluízio Abranches)

 

 

Na entrevista que concedeu durante um ciclo de palestras sobre novelas, ao explicar sobre o clichê, o novelista Gilberto Braga pegou emprestada a definição de seu companheiro de escrita, Sérgio Marques: “se o clichê existe é porque é bom”. Pois bem, tal declaração, ainda que se refira ao texto televisivo, pode ser usada como ilustração para a estranheza que causa no espectador o filme “Do começo ao fim” ao final de sua exibição: o filme tem uma ausência quase total de clichês. E isso incomoda tanto quanto se tivesse infestado deles. Resumo da ópera: clichês existem e são necessários, mas deve-se usá-los com parcimônia.

 

O filme é esteticamente belo (aliás, a escolha de atores lindos não foi por acaso), com uma trilha sonora romântica e delicada, fotografia idem, que convidam o espectador a entrar na atmosfera lírica que permeia toda sua exibição. Sim, de fato a narrativa consegue fazer com que torçamos para a felicidade do casal de meio-irmãos, apaixonados desde a infância. O problema é que esta torcida parece um tanto quanto inútil, uma vez que não há conflito algum impedindo esse amor. Eles são bem sucedidos profissionalmente, aceitos socialmente e pela família. O que resta? Uma questão trivial no final do filme que pouco acrescenta, tampouco interessa quanto ao já esvaziado mote inicial.

 

O momento em que o filme oferece um pouco de tensão é em sua parte inicial, durante a infância dos garotos, já que há toda uma expectativa em torno do desenvolvimento da relação deles e da reação da família. Vencida esta etapa, perde-se o interesse.

No entanto, vale registrar a excelente participação de Júlia Lemmertz, perfeita em cena (sua expressividade vale mais que mil palavras), e também uma das cenas mais bonitas dos últimos tempos: a jura de amor dos rapazes. Texto perfeito, atuações sinceras, que até tiram um pouco a má impressão da teatralidade da cena anterior.

Ainda que frustre as expectativas, “Do começo ao fim” cumpre sua proposta de apresentar um amor imune a todas as regras e convenções sociais, além de ajudar a suprir uma certa carência de filmes do gênero. Mas um pouquinho de conflito não faria mal a ninguém...

 

Cotação: @@@ Bom



- Postado por: O Vitor viu... às 13h55
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- Postado por: O Vitor viu... às 21h02
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Com segundo fim de semana, Besouro chega a 250 mil espectadores

Depois do bom desempenho em seu primeiro fim de semana em cartaz,“Besouro” continua sua carreira nos cinemas de todo o Brasil com sucesso. Neste último fim de semana (entre 6 e 8 de novembro), o filme somou mais 63 mil espectadores, resultando em um total de 250 mil pessoas nas duas primeiras semanas de exibição. O filme foi a quinta maior bilheteria do país no último fim de semana, atrás de Os Fantasmas de Scrooge, Jogos Mortais VI, Código de Conduta e Michael Jackson’s - This Is It.  

Na comparação com o primeiro fim de semana, Besouro teve uma queda de audiência da ordem de 29%, um percentual abaixo da média de mercado. Isso é um sinal de que o voo do nosso capoeirista ainda terá uma extensa autonomia nos cinemas.



- Postado por: O Vitor viu... às 18h54
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O Vitor verá e será visto...rs!

Queridos, depois de tanto falar sobre tantos e tantos filmes, chegou a hora de delegar em causa própria! É isso mesmo. O que era pra ser apenas uma brincadeira entre amigos, rende risadas até hoje. O curta-trash “Corra biba Corra” cujo roteiro é assinado por este que vos fala, será exibido na próxima edição do Cineclube LGBT no Cine Odeon BR, na próxima sexta, dia 16, às 21:00h. E ainda tenho uma hitchcockiana participação...rs!

Quem estiver no Rio e quiser prestigiar, será um prazer!

Corra, biba, corra

2007, cor, 3 min

Na ausência de uma camisinha só nos resta uma opção ao nosso personagem uivo: correr!

Direção: Rafael Pinto. Roteiro: Vitor Santos. Elenco: Marcelo Prata e Leandro Rodrigues.

  

Site: www.cineclubelgbt.com.br

E-mail: cineclubelgbt@gmail.com

Twitter: www.twitter.com/cineclubelgbt



- Postado por: O Vitor viu... às 19h51
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O preço do sucesso

Ø  OS NORMAIS 2 – A NOITE MAIS MALUCA DE TODAS (Brasil, 2009 – dir: José Alvarenga Jr. – roteiro: Alexandre Machado e Fernanda Young)

 

Se “Os normais 2” tem a vantagem sobre o primeiro filme de manter-se fiel ao clima da extinta série, por outro lado contém alguns excessos que comprometem o resultado final.

Em sua quinta semana de exibição e rumo aos 2 milhões de espectadores, o filme apóia-se, principalmente, no talento e na perfeita sintonia da dupla de protagonistas, Rui e Vani, vividos por Luiz Fernando Guimarães e Fernanda Torres. As participações especiais, em sua maioria femininas, também dão um charme especial à incrível noite de aventuras, a La Scorcese (“Depois de Horas”) vividas pelo intrépido casal em busca de um ménage a trois.

No entanto, aquilo que sempre foi a tônica e a grande sacada do programa e que sempre garantiu que ele fosse ao mesmo tempo sucesso de público e crítica, que é o perfeito casamento entre humor inteligente e piadas apelativas, não se repete no filme. Há um desequilíbrio e o filme pende muito mais para as piadas grosseiras (inclusive alguns clichês gratuitos de comédias adolescentes americanas) do que para o humor mais elaborado. Isso em parte pode explicar o sucesso do filme. Desta forma, essa preferência pelo popularesco e pelo gratuito faz com que o filme ganhe mais público, mas pode frustrar um pouco os fãs mais ardorosos do seriado.

Mesmo com os excessos em busca de números mais abrangentes de bilheteria, “Os normais 2” não deixa de honrar a franquia vitoriosa a que pertence e garante a diversão e até mesmo o frescor dos primeiros episódios, menos pelo texto e mais pelo carisma e talento dos protagonistas.

 

Cotação: @@@ Bom



- Postado por: O Vitor viu... às 22h11
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Gramado 2009

 

Dira Paes e Xuxa: a musa e a rainha homenageadas.

Confira a lista completa das produções premiadas no festival: 

LONGA NACIONAL  

Melhor filme: “Corumbiara”, de Vincent Carelli
Melhor diretor: Vincent Carelli por “Corumbiara” e Paulo Nascimento por “Em teu nome”
Melhor ator: Leonardo Machado por “Em teu nome”
Melhor atriz: Vivianne Pasmanter, por “Quase um tango...”

Melhor roteiro: Sérgio Silva, por “Quase um tango...”

Melhor fotografia: Katia Coelho por “Corpos celestes” 

Prêmio especial do júri: “Em teu nome”, de Paulo Nascimento 

Melhor diretor de arte: Fabio Delduque, por “Canção de Baal” 

Melhor trilha musical: Andre Trento e Renato Muller por “Em teu nome” 

Prêmio da crítica: “Canção de Baal”, de Helena Ignez 

Melhor filme, segundo o júri popular: “Corumbiara” de Vincent Carelli 

Melhor filme, segundo o júri de estudantes de cinema: “Corumbiara” de Vincent Carelli 

Melhor montagem: Mari Corrêa, por “Corumbiara”

LONGA ESTRANGEIRO 

Melhor filme: “A teta assustada”, de Claudia Llosa
Melhor diretor: Claudia Llosa, por “A teta assustada”
Melhor ator: Horacio Camandule, por “Gigante” e Matías Maldonado, por “Nochebuena”
Melhor atriz: Magaly Solier de “A teta assustada"
Melhor roteiro: Adrián Biniez, por “Gigante”
Melhor fotografia: Guillermo Nieto, por “Lluvia”
Prêmio especial do júri: “La próxima estación” de Fernando Solanas
Prêmio da crítica: “Gigante”, de Adrian Biniez
Melhor filme, segundo o júri popular: “Lluvia” de Paula Hernández
Melhor filme, segundo o júri de estudantes de cinema: “A teta assustada” de Claudia Llosa 

CURTAS

Melhor filme: “Teresa” de Paula Szutan e Renata Terra
Melhor diretor: Paula Szutan e Renata Terra, por “Teresa”
Melhor ator: Miguel Ramos, por “Teresa”
Melhor atriz: Juliana Carneiro da Cunha, por “O teu sorriso”
Melhor roteiro: Davi Pires e Diego Müller, por “Teresa”
Melhor fotografia: André Luiz de Luiz, por “Ernesto no país do futebol”
Prêmio especial do júri: “Olhos de ressaca” de Petra Costa
Melhor diretor de arte: Diogo Viegas, por “Josué e o pé de macaxeira”
Melhor trilha musical: Leonardo Mendes, por “Josué e o pé de macaxeira”
Melhor montagem: Gustavo Ribeiro, por “Teresa”
Prêmio da crítica: “O teu sorriso”, de Pedro Freire
Melhor filme, segundo o júri popular: “Josué e o pé de macaxeira” de Diogo Viegas
Melhor filme, segundo o júri de estudantes de cinema: “Olhos de Ressaca” de Petra Costa



- Postado por: O Vitor viu... às 16h32
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Angústia alto astral

               

   Ø  UM ROMANCE DE GERAÇÃO (Brasil, 2008 – dir: David França Mendes - roteiro: David França Mendes e Sérgio Sant’anna)

 

Adaptação da obra homônima de Sérgio Sant’anna, o filme mantém-se fiel, sobretudo ao caráter híbrido do livro ao misturar ficção e uma espécie de documentário que segue simultaneamente ao desenrolar da trama. A ideia de mesclar o processo de criação do filme, mostrando a leitura e depoimentos de elenco, direção e também do autor do romance é interessantíssima. O resultado é uma obra absolutamente original e envolvente, que cativa instantaneamente o espectador ávido por novidades.

A ação se passa numa noite em que o escritor Carlos Santeiro (Isaac Bernat), que escreveu apenas um livro e encontra-se no auge de seu hiato criativo, recebe a visita em seu apartamento de uma jornalista, vivida ao mesmo tempo por três atrizes. Esse instigante jogo de sedução, de esconder e de desmascarar  é repleto de humor ácido e os personagens deixam transparecer todo o patético e angustiante de suas vidas.

As participações do diretor e do autor do livro são mais do que um charme especial. Elas casam-se perfeitamente e dão todo o clima festivo somando positivamente ao ótimo elenco. Isaac Bernat, o protagonista, é adoravelmente detestável e alcança perfeito equilíbrio entre o cinismo, a gaiatice e a angústia. As três atrizes vivendo o mesmo papel promovem uma espécie de competição em que todas ganham. As três, cada uma ao seu estilo, estão ótimas e luminosas em cena nos mostrando a importância da escolha da atriz para viver uma personagem, já que se mostram completamente diferentes em cena: na pele de Susana Ribeiro, a jornalista ganha ares de doçura e leveza; Nina Morena solta fogo pelas ventas numa composição mais vigorosa; e Lorena da Silva, a mais louca e irreverente das três, faz um interessante jogo de espelhos com o protagonista, quase tão cínica quanto ele.

Lógico que trata-se de um biscoito fino destinado a um público bastante específico, amante de sabores agridoces. David França Mendes consegue o equilíbrio entre leveza e densidade, diversão e drama. Conceitual sem ser chato, o alto astral é a tônica do filme.

 

Cotação: @@@@ Ótimo



- Postado por: O Vitor viu... às 04h51
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